terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Comer à noite

Não é que não se deva comer nada à noite. Nem que se deva a todo custo evitar carboidratos à noite. Na verdade, não se devem fazer refeições grandes à noite porque, quando dormimos, nosso metabolismo fica mais baixo e não precisamos de tantas calorias. O excesso seria armazenado sob a forma de gordura.

Além disso, se ingerirmos carboidratos com alto índice glicêmico (ex: doces, farinhas, pães, batatas) antes de dormir haverá uma entrada rápida de glicose no sangue. Para que essa glicose saia da corrente sangüínea e penetre nas células, o pâncreas irá produzir muita insulina e esta, por sua vez, irá diminuir a secreção do hormônio do crescimento (GH, do inglês "growth hormone"), que ocorre durante o sono e que é importante para a queima de gordura corporal.

Por falar em GH, Sylvester Stallone tomou esse hormônio para ficar musculoso para o Rambo IV. O uso do GH como suplemento alimentar em adultos tem uma série de efeitos colaterais: alargamento do nariz, orelhas e língua, aspereza da pele, além de transtornos graves para a saúde. Stallone pode até ter ficado musculoso, mas, já viu como ele tá esquisitão?

Vinhos brasileiros

Em maio de 2007, após 16 anos de luta, a profissão de enólogo foi reconhecida no Brasil.

O consumo per capita de vinhos no Brasil é de 2,1 litros, ainda bem abaixo do de outros países...

Em 2007 os vinhos nacionais conquistaram 109 premiações, 60 para espumantes e 49 para vinhos tranqüilos (não espumantes).

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Estreou no GNT "Viciados em comer mal", reality show que mostra a 'cura' de pessoas com distúrbios e maus hábitos alimentares.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Eu só quero chocolate...

A inspiração pra esta postagem veio do blog Bacalhau com Batata, depois que o Carlinhos de Lima ganhou um chocolate com 99% de cacau...

Decidi revelar algumas raridades que nós, chocólatras nada anônimos, costumamos ter no freezer:
A marca "chocolate bar" tem uns sabores de chocolate bem diferentes: torta de limão, maçã caramelada... o melhor, pra mim, é este aqui: pretzel salgado! Pretzels são aquelas roscas grandonas (nem tão gostosas assim) cobertas de sal grosso que americano adora. Por incrível que pareça, o chocolate, com pedacinhos de biscoito salgado e grãos de sal grosso, é delicioso
este equatoriano "vintage" oferece como brinde um pé de cacau...

chocolate com recheio de creme brulée: um sucesso
pra fechar com chave de ouro, um que considero "imperdível": chocolate ao leite belga com chá verde japonês... que combinação fantástica!

Muito além da salsa e da cebolinha

Uma das coisas das quais mais me orgulho é da minha horta... tenho ervas "comuns", como salsa, cebolinha e hortelã, mas também tenho outras mais "raras", como ciboullette e tomilho...

Se é verdade que "o olho do dono engorda o gado", deve ser parecido com as ervas: faço questão de cuidar pessoalmente das minhas. Nem dá tanto trabalho assim... e o cheirinho que elas deixam no terraço é indescritível.

Um lembrete: ao usar as ervas frescas, dispense a faca e pique com as mãos, para não oxidar.
A alfavaca, ou basilicão, nada mais é do que o manjericão de folha enorme... imagina só essas folhas numa pizza margherita... tenho outros tipos de manjericão, roxo, verde de folha pequena, mas este aqui é o meu preferido...


repara no detalhe da florzinha... o basilicão tá tão lindo que mereceu três fotos...
o capim-limão, usado nas culinárias "thai" e indiana, dá um chá milagroso contra insônia... será por isso que ele também é chamado de capim-santo?
nirá: sabor parecido com o do alho (são da mesma família), porém mais suave, dá um toque "japa" a qualquer prato...
sálvia: para usar com carne de porco, coelho, massas...
O estragão, assim como as outras ervas, precisa ser podado de vez em quando, pra crescer mais saudável... assim, decidi podar o meu e usá-lo numa preparação à base de filezinho de peito de frango (que combina muito bem com esta erva!) e arroz preto que encontrei na despensa...
O arroz preto tem sabor e aroma de castanhas... é cultivado há mais de 4.000 anos na China, onde tinha fama de afrodisíaco... os súditos produziam os grãos, mas só o imperador consumia, daí o nome de "arroz proibido".

Desde 1994 se fazem pesquisas para cultivo do arroz preto aqui no Brasil. Ele tem mais proteínas, mais fibras, menos gorduras, menos calorias que o arroz integral. E ainda tem elevado poder antioxidante. O da foto é 100% nacional (Pindamonhangaba, SP).
Comidinha de domingo: arroz preto com filezinho de peito de frango e estragão...

Paris é aqui

Sábado nublado, friozinho em pleno verão. Acorda-se tarde, nenhum compromisso. Geladeira vazia. Tudo isso convida a quê? A um café da manhã de rei, claro.

Tinha ouvido falar num lugar novo que abriu no Jardim Botânico e rumei pra lá. Ali perto, no Parque Lage, há poucos meses fechou um café que era referência no bairro, pois o ambiente fazia a gente se sentir nobre - embora gastronomicamente fosse meio plebeu.

Os órfãos do Café Lage já têm aonde ir: o Le Pain du Lapin é uma espécie de padaria/confeitaria com toldo e mesinhas na calçada, decorado com o maior bom gosto, vitrines abarrotadas de gostosuras... conseguimos a última mesa vaga, pois o lugar tava "bombando".

Nas tolhas de papel sobre as mesas, as patinhas do coelho (lapin)...
No cardápio, preços bem razoáveis: café da manhã completo a partir de 11 reais... e ainda sanduíches, sucos, bebidas quentes, doces, pães variados, terrines, verrines, microtortinhas de dar água na boca...
o dono do estabelecimento foi ver como se fazem pães na França... e aprendeu direitinho: os pães são maravilhosos, com destaque para o australiano e o croissant...

O chocolate quente, com muita espuma e raspinhas de chocolate amargo, não deixou dúvida: foi o melhor que tomei nos últimos tempos. E ainda vinha com financier de amêndoas e bolo de laranja caseiro. Na mesa ao lado, um jovem casal conversava... em francês.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Rapidinhas

O crítico Rubens Ewald Filho e a jornalista gastronômica Nilu Lebert lançam "O cinema vai à mesa - histórias e receitas", livro que une a gastronomia à sétima arte.


Agora é lei: na Inglaterra, a garotada entre 11 e 14 anos vai aprender culinária na escola. O objetivo, além de ensinar a cozinhar, é ensinar a comer e evitar, assim, a obesidade e outras doenças.


Vamos comer mais pitanga: ela ajuda na prevenção de diversas doenças, inclusive do câncer.


No Japão, já tem robô fazendo trabalho de sommelier...

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Joaquina

É muito bom fazer descobertas...

A última foi o Joaquina, na Cobal do Humaitá...
o risoto com filé é ótimo, mas eu ainda prefiro a moquequinha de camarão

Aniversário

O Leo, meu filhote, fez aniversário. Teve festa no apê...

Tudo começou com o desenho da Ana...

de entradinha, amendoins coloridos, musse de kani (sem foto)...
o prato principal: frango marroquino...

...servido com couscous
os docinhos...
...brigadeiros em três versões: bicolor, frutas vermelhas e pistache

BRIGADEIRO PRETO
1 lata de leite condensado, 2 colheres de sopa de chocolate em pó, 1 colher de sopa de manteiga sem sal. Levar todos os ingredientes ao microondas em potência alta durante 3 minutos.*

BRIGADEIRO BRANCO
1 lata de leite condensado, 1 colher de sopa de manteiga sem sal. Levar todos os ingredientes ao microondas em potência alta durante 3 minutos.

As bolinhas pretas e brancas que usei são chamadas de chocopower, e podem ser encontradas em lojas que vendem artigos para doceiras.


BRIGADEIRO ROSA
1 lata de leite condensado, 1 colher de sopa de manteiga sem sal, aroma de morango, corante vermelho. Levar ao microondas o leite condensado e a manteiga em potência alta durante 3 minutos. Retirar e pingar gotas de aroma de morango a gosto e um pouquinho de corante vermelho.

Calda: 2 colheres de sopa de amoras, 1 colher de sopa de açúcar. Levar ao fogo baixo e deixar ferver até as amoras ficarem macias, sem perder a forma. Cobrir cada copinho com uma amora e um pouco da calda.


BRIGADEIRO VERDE
1 lata de leite condensado, 2/3 xícara de pistaches descascados e moídos, 1 colher de sopa de manteiga sem sal, corante verde, pistaches inteiros para decorar. Levar ao microondas o leite condensado e a manteiga em potência alta durante 3 minutos. Retirar e pôr um pouco do corante verde, até ficar no tom desejado. Decorar com pistaches.

*Pode haver variações de um microondas para outro (ou se você fizer no fogão). Assim, depois de passados os 3 minutos, observe se está na consistência desejada. Lembre que o ponto é de brigadeiro de colher, pois vai ser servido no copinho, e que o doce fica mais consistente depois que esfria.

Japoneses, peixe cru e mercúrio

Os japoneses anunciaram que não vão deixar de consumir peixe cru, apesar de as taxas de mercúrio encontradas recentemente no atum serem consideradas um tanto preocupantes... segundo o Ministério da Saúde deles, está tudo sob controle. Afinal, não são as japonesas que não engordam nem envelhecem?

Nosso arroz com feijão de cada dia

A dupla é mesmo imbatível: um complementa o outro, em termos nutricionais, e a combinação resultante tem teor proteico equivalante ao das carnes... a proporção ideal para desencadear a "química" entre os dois alimentos é de uma concha de feijão para meia escumadeira de arroz.

Tem mais: quando se adiciona feijão ao arroz, o índice glicêmico deste diminui, ocorrendo assim um equilíbrio que diminui o risco de doenças como diabetes.

Agora, a novidade: cientistas da Unicamp acabam de descobrir que arroz e feijão cozidos têm altas concentrações de flúor e, portanto, protegem contra as cáries. Com tudo isso, não dá pra dispensar, não é mesmo?

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Receita de família

Termina hoje o V Madri Fusion, evento que reuniu durante quatro dias alguns dos chefs mais badalados da atualidade. Ferran Adriá, claro, tava lá. Alex Atala também foi... No cardápio, entre outras inovações, coca-cola sólida.

Há décadas se faz, lá em casa, um bolo que leva coca-cola na massa. Ninguém tem idéia do efeito da coca-cola na massa de um bolo! Acho que minha avó já entendia de gastronomia molecular...

Com esta receita eu ganhei, em 1997, um concurso de "Melhor Receita Infantil" promovido pelo Jornal do Brasil no Dia das Crianças. E fui jantar no Don Camillo, na Avenida Atlântica, com direito a acompanhante, lagosta, vinho, tiramissu...


BOLO DE COCA-COLA E BRIGADEIRO

Massa:
3 xícaras de açúcar
200 g de margarina
3 xícaras de farinha de trigo
5 ovos
1 colher (sopa) fermento em pó
1 xícara de achocolatado
300 ml de coca-cola

Bata a margarina com o açúcar. Junte as gemas, uma de cada vez. Vá juntando aos poucos a farinha de trigo misturada com o achocolatado e o fermento e a coca-cola, alternando ingredientes secos com o líquido. Por último, junte as claras batidas em neve. Leve ao forno.

Cobertura:
1 lata de leite condensado
1/2 lata de leite
50 g de margarina
1 xícara de achocolatado

Leve todos os ingredientes ao fogo e deixe engrossar.

sábado, 19 de janeiro de 2008

Rústica, farta e deliciosa: comida de botequim

Bem no iniciozinho da rua do Rosário, num dos recantos mais agradáveis do Rio, fica o Casual Retrô, uma casa portuguesa, com certeza...
O estrogonofe de avestruz estava ótimo, apesar da guarnição um tanto estranha (polenta???)

Este é o Gulosão, prato que inclui uma amostra de cada um dos três pratos do dia servidos na casa: bacalhau cremoso, risoto de frango e vitela e espaguete com frutos do mar.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Andamento e expectativas Safra 2008

Acabo de receber o seguinte informativo da Terra Bela Turismo, especializada em enoturismo:

"De maneira geral, em todas as microrregiões da Serra Gaúcha, o início da floração (primavera) foi um pouco complicado devido ao frio intenso (50% a mais do que o de costume), o que resultará em uma safra mais reduzida em quantidade, porém com qualidade. As expectativas são as melhores possíveis. Agricultores e vinicultores agora aguardam que o clima siga de acordo para festejarem mais uma vindima na serra gaúcha.

Clóvis Boscato, da vinícola Boscato, localizada em Nova Pádua, afirma que os vinhedos estão bonitos, apresentando boa sanidade tanto no aspecto vegetativo como também na própria fruta. A Chardonay já está com o grão “mole” iniciando a sua maturação, assim como a Pinot Noir. A Cabernet Sauvignon apresenta cachos sadios, porém ainda verdes, já que a expectativa da colheita é para fins de março e início de abril.

A Merlot, uva emblemática da serra gaúcha, está com o colorido variando de intensidade de acordo com a altitude dos vinhedos da vinícola, entre 750 e 816 m. A expectativa de colheita da uva merlot é entre os dias 15 e 28 de fevereiro.

Segundo Nilzo Panizzon, da vinícola Panizzon, localizada em Flores da Cunha, microrregião dos Vinhos dos Altos Montes, a safra segue normal até o momento. Com vinhedos próprios localizados nos Campos de Cima da Serra a uma altitude de 850 m, a vinícola pretende iniciar a colheita em janeiro, com as uvas Moscato Bianco e Chardonay. A colheita da uva merlot está prevista para em torno do dia 20 de fevereiro.

Flávio Pizzato, enólogo da vinícola Pizzato, diz-se bastante satisfeito com o andamento do clima, que favorece a maturação das uvas. Poucas chuvas, o bastante e o necessário apenas. Os vinhedos localizados no Vale dos Vinhedos estão a uma altitude de 500 a 600 m em média. A uva merlot se encontra no estágio chamado em francês de “véraison” (trocando de cor). A partir da troca de cor até a colheita, prevista neste caso para os dias 15 a 20 de fevereiro, as uvas crescerão em volume, peso e grau de açúcar. Flávio também ressalta a amplitude térmica, com noites frias e dias quentes. Exemplifica o dia de nossa conversa, 07 de janeiro, quando de manhã os termômetros marcavam 15 C° e, durante o dia, 32 C°. Esta amplitude favorece o desenvolvimento de aromas florais e frutados na uva chardonay, ingrediente dos excelentes espumantes da serra gaúcha. Na uva merlot, também amplia o aroma e a cor.

Nos roteiros enogastronomicos de verão da vindima sempre haverá oportunidade de visitas aos vinhedos, com provas de uvas finas. Degustar um vinho após ter conhecido os sabores da uva que dá origem a este vinho nos conduz a uma experiência memorável. "

Mais informações em: turismo@terrabela.com.br

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Supermercados século XXI

Eu costumo fazer compras grandes num supermercado dito “popular”. Pois da última vez me espantei em ver a variedade de marcas, sabores e importados que as prateleiras vêm exibindo.

Primeiro foi a Sendas, que se associou à européia Casino e começou a vender produtos com sotaque francês: biscoitos, chocolates, molhos...
Compre o molho béarnaise pronto... ou faça você mesmo:

1 cebola, 2 colheres (sopa) de estragão, 10 grãos de pimenta, 3 colheres (sopa) de vinagre de vinho branco, 3 colheres (sopa) vinho branco, 4 gemas, 1 xícara (chá) de manteiga, suco de 1 limão.

Lave a cebola, pique e coloque numa panela. Junte metade do estragão, a pimenta e o vinagre. Leve ao fogo até reduzir a menos da metade. Transfira para um refratário e acrescente 3 colheres (sopa) de vinho branco seco. Junte 4 gemas peneiradas e leve ao fogo em banho-maria, batendo com um batedor até começar a encorpar. Aos poucos, sem parar de bater, junte a manteiga. Continue a bater até obter consistência de maionese rala. Não deixe ferver. Retire do fogo e peneire. Junte 1 colher (sopa) de estragão, suco de limão e sal. Volte ao fogo (ainda em banho-maria), sem parar de bater, até ficar consistente e homogêneo. Não deixe ferver. Acerte o sal e retire do fogo.


o chocolate francês custa o mesmo que o brasileiro...
isso é que eu chamo de trivial variado...
Palavras em francês, inglês, italiano e japonês há muito entraram para o vocabulário de pessoas comuns: "croutons", "barbecue", “arborio”, "fines herbes", "wasabi", "shoyu"...

Estamos testemunhando uma revolução nos costumes do consumidor. Precisávamos de alguém do quilate de um Brillat-Savarin (gastrônomo francês que escreveu o clássico “A Fisiologia do Gosto” no século XIX) para avaliar isso direitinho, do ponto de vista sociológico, sei lá. Por que, assim como eu, outras pessoas devem ter curiosidade de saber: foi o consumidor que ficou mais exigente e os fabricantes tiveram de adequar seus produtos ou, diante de tão ampla oferta, os consumidores é que foram lapidando seu paladar?

antigas marcas, novos sabores...
A prateleira de vinhos, então... ofertas classificadas por país, verdadeira volta ao mundo, com bandeirinhas e tudo! Não faz muito tempo o vinho mais sofisticado que a gente tinha por aqui era aquele “blue nun”, lembram?

Da última vez que fui ao médico, este discorreu sobre gastronomia com a propriedade de um chef. Como se, em vez da faculdade de medicina, tivesse cursado o Cordon Bleu. E ainda se confessou um fã do programa da Nigella, além de um cozinheiro de fim de semana... assim, não sabíamos se conversávamos sobre eventuais transtornos de saúde meus, ou se trocávamos receitas durante a consulta.

Da próxima vez que você quiser puxar conversa com alguém, já sabe: é só falar de comida. Afinal, somos um país com 170 milhões de gourmets.
Esse negócio de melhor compra...
... melhor relação custo-benefício, é comigo mesma...

Merlot X Cabernet sauvignon

São dois vinhos tintos bastante conhecidos aqui no Brasil. Outro dia vieram me perguntar: afinal, qual é o melhor, merlot ou cabernet sauvignon?

Seria quase o mesmo que perguntar: qual é o melhor, verde ou azul? Porque a resposta vai depender da sua preferência pessoal. A harmonização dos dois vinhos é bastante semelhante: carnes vermelhas, massas, aves, pratos de peixe com molhos fortes...

Tanto a uva Merlot quanto a Cabernet sauvignon são originárias da França, da região de Bordeaux. Um exemplo de vinho francês à base de Merlot é o Chateau Petrus, enquanto um exemplo famoso de Cabernet sauvignon francês é o Chateau Margaux.

O Merlot é frutado, com aromas de ameixa, de frutas vermelhas maduras que, com o tempo, evoluem para tabaco e madeira.

O Cabernet sauvignon lembra cassis, o pimentão... quando envelhecido, pode ter aromas mais complexos, como chocolate, cedro e tabaco.

A cabernet sauvignon é considerada a rainha das uvas tintas, pelo fato de ter se disseminado praticamente pelo mundo todo, graças à sua grande capacidade de adaptação e resistência a doenças, enquanto a uva merlot é mais difícil de ser cultivada.
O cabernet sauvignon deve envelhecer durante algum tempo para mostrar melhor suas qualidades. Quando jovem, este vinho possui excesso de taninos, o que o torna muito adstringente. Já o Merlot é um vinho mais aveludado, mais “redondo”, que não foi feito para envelhecer.
O livro deste enólogo argentino é um dos muitos que você pode ler, se quiser saber mais sobre vinhos.

Curtas e finas

"Todo vinho seria um Porto se pudesse" (ditado português)


Dom Pierre Pérignon, a quem se atribui a "invenção" do champanhe, teria dito ao provar pela primeira vez sua invenção:

"Venham rápido! Estou bebendo estrelas!"


De Jancis Robinson, escritora inglesa, sobre a uva "pinot noir":

"A Pinot Noir é uma mistificadora. Se não é exatamente mulher, sem dúvida é feminina, e leva ao desespero o agricultor, o enólogo e o enófilo. Sabe se mostrar cruel, deixando antever seus encantos, que recusará a todos, exceto àqueles mais perseverantes."
O bar Saloon 79 (rua Pinheiro Guimarães, 79, Botafogo), point de amantes de Harley-Davidsons e outras tribos, apresenta sexta, 18/1, a banda Os Outros tocando Led Zeppelin, Deep Purple, Beatles, blues...
Deu no Globo Gastronomia de hoje: ano novo, vários cursos de gastronomia pintando por aí: degustação de vinhos, culinária italiana, japonesa... no link http://oglobo.globo.com/cultura/gastronomia/mat/2008/01/14/esta_aberta_temporada_2008_de_cursos_gastronomicos-328012061.asp

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

A deli Portofino, da sommelier Marcia Anholeti, está oferecendo vinhos argentinos que receberam excelente pontuação do "imperador do vinho" Robert Parker, tido como o maior crítico de vinhos da atualidade. www.portofinodeli.com.br, e-mail portofinodeli@yawl.com.br
De 14 a 17 de fevereiro acontece em Mendoza, Argentina, o II Masters of Food & Wine America del Sur. Informações pelo tel. (31) 32257773 ou pelo e-mail fit@zenithe.tur.br
De 18/2 a 14/3 a Universidade de Caxias do Sul em Flores da Cunha oferecerá de 2a. a 6a., em horário integral, o "Curso Breve de Técnicas Culinárias Internacionais", com receitas da cozinha italiana. O investimento é de R$ 2.700,00, podendo ser parcelado em até 3 vezes, e o contato, pelo e-mail gastronomia@ucs.br ou pelo tel. (54)32182430 ou 32182631

domingo, 13 de janeiro de 2008

Jantar 0800

O Itaucard está oferecendo a seus clientes um jantar no restaurante America, no shopping Rio Plaza. Fomos conferir.

O restaurante tem 700m2 bem decorados em tons de laranja e visual moderno. No cardápio, muitos grelhados e saladas, entre elas “cole slaw” (salada americana típica), uma boa carta de vinhos e “frozen-yogurts” de sobremesa.
minha escolha de prato principal: carré de cordeiro com "mint-jelly" e saladinha...

... acompanhado por um ótimo Cabernet Sauvignon chileno... olha só que linda a garrafinha de 187,5 ml

brownie de chocolate e pecans com sorvete de creme, calda de chocolate e farofa crocante, hummm....

frozen-yogurt de creme com doce de leite argentino e bem-casado (aquele mesmo, o docinho servido em casamentos...). Tinha também de abóbora com coco e vários outros, uma loucura...

Almoço de domingo



risoto de cogumelos de Paris frescos, servido sobre telha crocante de parmesão, tudo feito por mim...
o sorvete de torta de limão também fui eu que fiz... a calda de framboesa é do Bazzar

Perderam a noção

Adoro pimenta dedo-de-moça. Para cozinhar e para decorar. Não há nada mais charmoso do que algumas delas displiscentemente espalhadas numa mesa, num jantar ou evento informal.

dedo-de-moça, a mais fotogênica das pimentas
Há poucos dias, no entanto, andei procurando no Hortifruti, onde costumava comprá-la por cerca de R$ 5,00 o quilo, e não encontrei. Recorri então à Cobal do Humaitá, onde, para meu espanto, ela custa R$ 28,00! Deve ser a pimenta mais cara do mundo... custa mais caro que um quilo de filé mignon, mais caro que quatro quilos de peito de frango, mais caro que um quilo de camarão, salmão... eu, hein! Tem alguma coisa errada aí.

Acabei comprando no Farinha Pura que funciona dentro da própria Cobal, um supermercado conhecido por praticar preços altos, onde paguei R$ 13,34 pelo quilo da dedo-de-moça, menos da metade do que estão cobrando TODAS as barracas da Cobal (o preço é cartelizado).
Kátia Borges, minha amiga de infância que é historiadora e pesquisadora do Arquivo Nacional, envia duas dicas:

. A antiga TV E, agora TV Brasil, está exibindo aos sábados, às 16 horas, uma série de dez episódios intitulada "Mesa Brasileira". O primeiro episódio já foi ao ar no último dia 12. Inspirada na obra de Câmara Cascudo, Gilberto Freyre e outros autores, a série mostra a influência do português, do índio e do africano sobre os hábitos gastronômicos do brasileiro.

. A Editora Jorge Zahar lança no segundo semestre deste ano o livro “Banquetes reais” (título provisório), da historiadora Ana Roldão e do jornalista Edmundo Barreiros, que conta os hábitos alimentares de personagens históricos das famílias imperial brasileira e real portuguesa.
Depois da tapioca em NY, é a vez do açaí em Paris: o bistrô parisiense Le Chateubriand, que serve purê da fruta amazonense, entrou para a lista dos melhores novos restaurantes da cidade. Dizem que tudo o que é saudável está na moda lá fora. Eu acho que o que está na moda lá fora é tudo o que vem do Brasil.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Le Saint Honoré

Adoro quando o porteiro vem me entregar um pacote fechado de encomenda expressa. Fui eu que comprei, mas a sensação é a de um presente. Corro para abrir com ansiedade infantil. Assim, sou uma ferrenha defensora da compra de livros (e de qualquer outra coisa) pela internet. Ontem chegou mais um: Le Saint Honoré, do SENAC (olha eu mais uma vez enchendo a bola do SENAC). Difícil não elogiar: acabamento gráfico de primeira, receitas requintadas e de fácil execução. O texto é da Danusia Barbara e as fotos, do Alexander Landau.

Mas não foram só esses os motivos que me levaram a comprar o livro. Sempre tive fortes laços afetivos com aquele pedaço da França encravado na praia do Leme. Com aqueles chefs franceses que atravessaram o Atlântico e vieram fazer história, ensinando aos brasileiros que os subestimados ingredientes nativos podiam, sim, ser usados na alta gastronomia. Hoje, todo mundo sabe que o aproveitamento dos ingredientes locais é uma das formas de prolongar a existência do planeta. Há quase trinta anos, ninguém tinha essa noção. No livro “Cartas a um jovem chef”, Laurent Suaudeau conta como veio para o Brasil tornar-se discípulo de Paul Bocuse, considerado por muitos o maior chef de todos os tempos, e como se encantou com a riqueza de produtos como caju, abóbora, carne-seca, feijão, pitanga, chuchu, caqui, jabuticaba...



Nos idos de 1985, eu trabalhava como secretária da diretoria de uma empresa sueca. Não me entrosava muito com o pessoal do escritório, talvez porque eu tivesse pouco mais de 20 anos e os outros fossem pelo menos dez anos mais velhos.

Até que um dia chegou Suzanne, economista sueca recém-formada que, numa tentativa de fugir do frio, resolveu fazer um estágio por aqui. Logo ficamos amigas.

Nossos colegas de escritório deviam nos achar bastante excêntricas, pois vivíamos inventando coisas. Houve meses em que trocamos o almoço por uma academia de ginástica (naquela época, elas eram meio raras). Depois, com o Morro do Pasmado logo ali (o escritório ficava na rua da Passagem), passamos a fazer piqueniques. Preparávamos nossos sanduíches, arrumávamos o farnel e subíamos para almoçar sentadas na grama, sob o sol, achando aquilo a coisa mais saudável e original do mundo. Tudo correu muito bem até que um dia, enquanto comíamos felizes e despreocupadas, uma figura masculina saiu inesperadamente de um buraco, bueiro ou sei-lá-o-quê no chão, bem perto de nós. Foi o bastante para que interrompêssemos a refeição e nos lançássemos ladeira abaixo, com a certeza de que piqueniques no Pasmado, nunca mais.

Então veio a fase das extravagâncias gastronômicas. Todos os meses separávamos uma grana, escolhíamos um restaurante entre os mais bem conceituados pelos críticos e íamos lá almoçar. Fomos no Clube Gourmet, do Celidônio, que servia um tenro e variado bufê num casarão histórico de Botafogo. Excelente comida, ambiente aconchegante, adoramos.

Finalmente, chegou o dia de experimentar o mais estrelado de todos, considerado na época o melhor do Brasil: le Saint Honoré. O restaurante oferecia um preço fixo promocional no almoço e, munidas de coragem e das nossas economias, trocamos nossos jeans por uma roupinha mais transada e subimos até o último andar do Hotel Meridien.

Ao saltar do elevador, entramos num salão que guardava a imponência de um Palácio de Versalhes. Não é preciso dizer que a vista era um escândalo.
Com ar blasé, Suzanne e eu atravessamos o restaurante e nos acomodamos numa mesa junto à parede de vidro que dava para o mar. Todas as outras mesas estavam vazias. Olhamos para o elegante ambiente à nossa volta e começamos a ficar aflitas, pois não víamos nenhum bufê. Muito estranho. Teríamos que perguntar. Combinamos que seria Suzanne quem se dirigiria ao garçom, e em inglês. Assim, se cometesse alguma gafe, a tolerância seria maior; afinal, tratava-se de uma "gringa".

Um mâitre educadíssimo se aproximou da mesa, Suzanne perguntou pelo bufê. O homem, muito constrangido, desculpou-se e explicou, em francês, que não falava inglês. Nem eu nem Suzanne falávamos francês.

Houve alguns segundos de um silêncio perturbador até que eu, louca pra acabar com aquilo, perguntei, em alto e bom português, onde ficava o bufê. O mâitre, cada vez mais constrangido, explicou que não havia bufê, mas uma refeição composta por entrada, prato principal e sobremesa. Eu e Suzanne nos entreolhamos e lemos o pensamento uma da outra: seria o mesmo preço? Preocupação. Não podíamos nos dar o luxo de ter surpresas.

“OK, pode trazer”, eu disse, tentando aparentar naturalidade.

O primeiro prato era um "gâteau de brocolis", espécie de musse quente de brócolis que desmanchava na boca. Vinha acompanhado de um molho de camarões e lagostas. Podia-se sentir todo o frescor dos frutos do mar, toda a pungência de cada um dos temperos e o equilíbrio resultante de sua agregação, toda a textura aveludada da nata e da manteiga que davam a liga...

Depois veio um peixe, creio que um cherne, igualmente delicioso, e por fim a sobremesa: charlote de chocolate com molho de baunilha. Eu experimentava pela primeira vez a baunilha raspada da fava, tão diferente das essências artificiais, que dava um toque especial e inconfundível ao doce.

Tão intensos, ao mesmo tempo tão delicados... na verdade, não existem palavras que possam descrever corretamente as cores, os aromas, os sabores daquela refeição... ah, os sabores! Eles permaneceram comigo durante muito, mas muito tempo mesmo: não lembro se meses, anos... tempos depois, eu ainda era capaz de revivê-los, embora só os tivesse sentido uma única vez.

Ali, naquele dia, percebi que cozinha pode ser pura arte. Foi sem dúvida minha maior experiência gastronômica. Não tenho idéia de quanto custaria, em valores de hoje, um almoço como aquele. Só sei que jamais lamentei nenhum centavo do que ali foi gasto, e tenho certeza de que Suzanne, onde quer que esteja, também não.

Tempos modernos

Estava com amigos num restaurante (onde mais?), quando se deu o diálogo que conto a seguir.

Uma das amigas se lamentava por sentir saudade de um ex-namorado da adolescência:

- Gostaria muito de reencontrá-lo, mas acho que ele morreu...
- E por que você acha que ele morreu? perguntou outra amiga
- Ah, porque eu já procurei ele no orkut, e não encontrei...

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Receitinhas

Sabe o que eu fiz com as sobras de tender do reveillon? Olha só:

POLPETTONE

1/2 quilo de carne moída
250 g de tender processado (ou mortadela, lingüiça, lombinho canadense, o que você tiver)
1 ovo
miolo de 2 pãezinhos franceses ou 3 fatias de pão de forma umedecidas em água fervente
4 colheres (sopa) de queijo parmesão ralado
sal e pimenta a gosto

Misturar muito bem todos os ingredientes com a mão. Moldar os polpettones e rechear. O formato é redondo e achatado, como se fosse um hambúrguer bem alto.

Recheio: 100 g de muzzarela

Depois de recheados, passe os polpetones em farinha de trigo, ovos batidos e por último farinha de rosca. Frite e escorra bem sobre papel-toalha.

Prepare um molho de tomate e leve rapidamente ao forno, com o molho e um pouco de queijo ralado por cima.
Prometi à Cláudia, que conheci em Flores da Cunha, a receita de uma certa sopa de abóbora. Não esqueci não, Cláudia:

SOPA DE ABÓBORA COM MANTEIGA DE CAMARÃO (para 8 a 10 pessoas)

2 kg de abóbora
2 cebolas
6 colheres (sopa) manteiga
4 cubos de caldo de galinha
1 litro de leite
500 ml de creme de leite, de preferência fresco
sal
pimenta-do-reino, de preferência moída na hora
1 colher (sobremesa) de açúcar

Refogue a cebola na manteiga, junte a abóbora.
Adicione água para cobrir e os cubos de caldo de galinha. Cozinhe até a abóbora ficar bem macia. Bata no liquidificador ou processador e ponha de volta na panela.
Junte o leite e o creme de leite e aqueça a sopa.
Tempere com o sal, a pimenta e o açúcar.

Manteiga: 200 g de camarão limpo, 1/2 cebola, 1 dente de alho, 1/2 colher (chá) de açafrão, 2 colheres (sopa) de salsinha picada, sal, pimenta-do-reino, 100 g de manteiga que você tirou previamente da geladeira.

Refogue a cebola em 1 colher (sopa) de manteiga, junte o alho, o camarão e o açafrão. Atenção, o camarão não deve ficar no fogo por mais de 3 minutos!
Retire do fogo, junte a salsinha, tempere com sal e pimenta. Passe pelo processador.
Vá adicionando o restante da manteiga e misturando. Enrole a pasta em papel-alumínio, formando uma espécie de “salame”, e leve ao freezer ou à geladeira por algumas horas.

Na hora de servir, esquente bem a sopa e ponha uma fatia do “salame” no centro de cada prato.
Se quiser acrescentar uma textura crocante para contrastar, você pode jogar por cima umas sementes de abóbora torradas e salgadas que já vendem prontas (toda loja de produtos naturais tem).
A Glória Branco vive me pedindo a receita do bolo de limão com semente de papoula, que eu escrevi uma vez num papel e ela perdeu. Glória, agora você não perde mais:

BOLO DE LIMÃO COM SEMENTE DE PAPOULA

100 g de manteiga ligeiramente derretida
1 xícara de açúcar
2 ovos
1,5 xícara de farinha de trigo
2 colheres (sopa) de sementes de papoula
1 pitada de sal
1 colher (chá) de fermento em pó
raspas da casca de limão
¼ xícara de leite 1 colher (sopa) de suco de limão

Unte e enfarinhe uma forma para bolo inglês.
Misture o leite, o suco e as raspas de limão, reserve.
Peneire a farinha de trigo, o sal e o fermento em pó.
Bata a manteiga e o açúcar até ficar cremoso, acrescente um ovo de cada vez, batendo bem após cada adição. Acrescente as sementes de papoula.
Vá alternando a adição da mistura de leite e a dos ingredientes secos.
Ponha a mistura na forma e leve ao forno.

Se você quiser incrementar o seu bolo, pode recheá-lo com uma ganache de limão. Ganache é um creme preparado com chocolate derretido e creme de leite (é aquele usado no recheio das trufas). No caso do limão, usamos chocolate branco, na proporção de uma barra de chocolate para 150 ml de creme de leite, e juntamos suco de limão (1 colher de sopa). Misture tudo e leve ao freezer.

Quando a massa do bolo estiver pronta, coloque-a na forma e vá colocando o recheio em formato de bolas ou cilindros. Ajeite-o de forma que fique totalmente coberto pela massa, e então leve ao forno.

Eu já fiz este bolo nos sabores limão e maracujá, mas a criatividade humana não tem limites... você pode testar com outras frutas. Me diz depois se ficou bom.
Agradeço ao amigo e companheiro de viagem Marcus Fleury, de cujo álbum “roubei” as fotos de NY, e a Kátia Borges, amiga de longuíssima data que, antenada com as últimas novidades gastronômicas, sempre envia colaborações inestimáveis. Foi dela a sugestão do link “Cozinhas do Mundo”.

domingo, 6 de janeiro de 2008

2007 - Retrospectiva de sabores

2007 começou bem... ingressei no módulo Avançado do curso de tecnólogo em Gastronomia da UniRio. Como se come! A gente VÊ a diferença nos quilinhos, nossos e dos colegas... conheci um garoto que chegou a engordar 15 quilos num curso de gastronomia de apenas 4 meses de duração!

Empolgada com o curso, comecei a pesquisar livros na Amazon, e descobri o paraíso: livros que equivalem a um curso de gastronomia completo, outros que abordam assuntos que jamais verei abordados em um curso de gastronomia, pelo menos no Brasil. Até agora comprei uns 20, jurei pra mim mesma que é preciso parar, mas confesso que é difícil... ainda mais porque os caras vivem me mandando “novos lançamentos” que se encaixam exatamente no meu perfil de compradora...

Um dos colegas da UniRio trabalhava no Pecado, de Checho Gonzalez, o que me incentivou a ir lá algumas vezes - na última, com Alexandre e mais um casal de amigos, quando surgiu a idéia de uma viagem a Nova York. A idéia pusemos em prática em setembro. Já o Pecado, apesar do talento do chef, não chegou a emplacar 2008 – o consolo é que o Checho não foi pra Espanha, voltou pro Zazá Bistrô, logo ali...

Realizei o tantas vezes adiado sonho de visitar a Feira Nordestina, onde fui encontrar amigos de colégio que reencontrei no orkut, gente que conheço desde os dez anos de idade. Chegando lá a primeira coisa que fiz foi saciar a sede e principalmente a curiosidade tomando um guaraná Jesus... depois pedi uma caipirinha de caju e logo lembrei que essa clássica combinação tem até nome próprio: "caju amigo"! Trata-se realmente de dois ingredientes feitos um para o outro. A Feira merece outras visitas, e pretendo voltar com calma para fuçar as barracas em busca de temperos e ingredientes diferentes.

Se tivesse que eleger o ingrediente do ano, seria a pimenta de Sichuan (nome de uma província da China). O gaúcho Marcelo Träsel afirma em seu blog que ela já está sendo plantada em Florianópolis. Segundo ele, o que os americanos chamam de Sichuan buttons é a mesma coisa que o jambu, usado em diversos pratos da culinária amazônica.

Pelo que sei, o jambu é usado no pato no tucupi, mas é uma folha... A sensação, no entanto, seria parecida: uma espécie de anestesia. Há quem a descreva como afrodisíaca, pois aguça os sentidos. Ferran Adriá usa para fazer o tal do “leite eletrificado”.

http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2007/10/02/AR2007100200464.html

No artigo acima do Washington Post, o autor afirma que 80% das pessoas, ao experimentar a tal semente, acham muito divertido e exclamam: "Uau! É a coisa mais surpreendente que já experimentei! Parece que estou com uma bateria de 9 volts na boca!”

O chef Alexandre Cymes, do Cybercook, explica que “a pimenta de Sichuan, na verdade, é o botão seco de uma flor..”’, levando a crer que Sichuan pepper e Sichuan button seriam exatamente a mesma coisa. Para confundir mais um pouquinho, no Japão o povo chama de “sansho”.

No site Invivo Ciência, da Fiocruz, a gente fica sabendo que, embora não tenha capsaicina, que causa a sensação de ardor (você sabia que só as línguas dos mamíferos possuem receptores para a capsaicina? por isso os passarinhos podem se fartar de tanto comer pimenta...), a pimenta de Sichuan age de modo diferente, provocando dormência.

A tal pimenta, ou botão, ou seja o que for, adiciona uma nova dimensão à experiência gastronômica. Afinal, já foi o tempo em que bastava a comida ser gostosa: hoje em dia, comida tem que surpreender, mexer com as emoções!

Não sosseguei enquanto não arranjei minha Sichuan! Cheguei a pensar em encomendar a algum acupunturista ou alguém que viaje pra China com alguma freqüência, mas foi bem mais fácil: depois de procurar em todos os lugares possíveis aqui na capital, fui encontrar a tal pimenta-que-não-é-bem-pimenta numa pequena feira de gastronomia em Itaipava, região serrana do estado. (Descobri depois que no Hortomercado de Itaipava também tem). Vou usá-la em um sorvete, acho que vai ficar interessante, depois conto detalhes.

Sou uma cinéfila que cozinha e dois filmes estiveram, pra mim, bastante associados à minha experiência gastronômica no ano de 2007 (embora curiosamente nenhum dos dois seja sobre comida). Um deles foi o surpreendente “O Perfume” (lembro de ter lido uma crônica da Cora Rónai, dizendo que não esperava muito do filme mas que tinha achado ótimo!). Pra mim foi especial porque, como 2007 foi o ano em que mergulhei profissionalmente na gastronomia, fiz uma analogia entre aquela busca incessante do protagonista pelo perfume e a minha própria busca por novos sabores, combinações, releituras de pratos clássicos...

O outro filme tem mais de dez anos, mas não pude evitar um paralelo. É “Pret-a-porter”, do Robert Altman, que mostra os bastidores do mundo da alta costura. Na cena final, depois de todo o tipo de desvarios nos desfiles, o estilista apresenta sua obra maior: um desfile com todo mundo nu! O que me levou a pensar: onde vamos parar? O que virá depois de tanta criatividade nas cozinhas do mundo?

A viagem a Nova York merece um capítulo à parte. Foram visitas a delis como a Dean & de Luca, a Zabar´s (que aparece no filme Manhattan, de Woody Allen), a Eli Zabar (parece que os dois Zabars são irmãos, e cada um tem sua própria deli) e tantas outras repletas de chocolates, utensílios e novidades fantásticas. Restaurantes lindos como o Brasserie, onde vidros jateados camuflam garrafas de formas variadas numa gigantesca vitrine, outros sofisticadamente simples como o Nougatine (na Trump Tower, com menu super em conta no almoço), simpáticos como o l´Ecole (restaurante-escola do French Culinary Institute, também com preço ótimo) e cheios de gente bonita e descolada como o tailandês Spice Market.




ostras do restaurante Balthazar


cerveja japonesa servida no Nougatine, na Trump Tower (Columbus Circus)


restaurante Brasserie, em NY

Tribeca Tavern, divertido bar...

... onde serviam até cerveja de framboesa!

restaurante polonês no Brooklyn

O que mais chamou a atenção em NY? O fato de quase todos os restaurantes bacanas usarem a tapioca como ingrediente. A quantidade de vegetais defumados nos cardápios – o l´Ecole tinha um flã de tomate defumado bastante original. Meu arrependimento? Não ter comprado um defumador portátil que a Zabar´s vendia por 50 dólares. Agora, vou ter que improvisar com aquela churrasqueira da Casa e Vídeo. A primeira experiência vai ser com batata-baroa.

Consegui conciliar a loucura que é uma viagem a NY com um curso no French Culinary Institute. O assunto? “Poções Mágicas – Hidrocolóides”. A proposta do curso é disseminar o uso dessas substâncias químicas em qualquer cozinha, para que se possa dar QUALQUER TEXTURA E FORMA a qualquer alimento, sem alterar o sabor. Irresistível, né? Voltei de NY com vários saquinhos de pó branco e muitas idéias na cabeça...

Em Teresópolis, conheci a casa da Dona Irene, simpático restaurante que funciona há décadas num ambiente pra lá de agradável. Quem chega é saudado com uma sucessão de entradinhas russas, frias e quentes, até a chegada do prato principal e o grand finale da sobremesa. O restaurante tem várias mesas, cada uma numa sala separada, de modo que os grupos têm total privacidade. De vez em quando, alguém do restaurante inspeciona as mesas/salas para ver se está tudo bem... a nossa ‘inspeção’ foi feita por um velhinho que, ao ver que havíamos pedido uma garrafa de vodca, murmurou, matreiro: “humm, a alegria já se instalou por aqui...”

Estive no restaurante de um badalado chef francês que é bom de cozinha, mas é ainda melhor de marketing: ao término do jantar, cada cliente recebe, sem pedir, uma cópia do menu... autografado! Lembrei-me do comentário de um dos professores da faculdade: chef que nunca está no restaurante, vive dando entrevistas, tem programa de TV e freqüenta a Ilha ou o Castelo de Caras não é chef, mas sim alguém que está promovendo sua marca...

O Braz trouxe a lingüiça de javali para o Rio. O Pizza Park também está usando, na pizza Obelix e Asterix. Quem souber de algum fornecedor, me avise, pois já andei procurando em “açougues de carnes exóticas” e nenhum deles tem pra vender.

Contei os dias para a inauguração da doceria Payard do Shopping Leblon, expectativa que não se justificou... Em compensação, o Rascal, no mesmo shopping, exibiu atendimento e comida que me fizeram repensar minha relação com restaurantes em shoppings.

Em dezembro estive na italianíssima Flores da Cunha, maior produtora de vinhos do Brasil, onde experimentei exemplares de qualidade como os das vinícolas Argenta e Boscato, produzidos segundo a mais moderna tecnologia e sem nenhum subsídio do governo (semanas depois, o presidente Lula se comprometeria a divulgar os produtos e facilitar o crédito para os empresários do setor).

Uma curiosidade sobre vinhos: existem grupos de degustação pela internet, que funcionam assim: o líder do grupo compra o vinho a ser degustado e envia pelo correio a cada um dos participantes. No dia e hora marcados, os membros do grupo vão para a frente de seus computadores e começam a degustação...

Conheci ainda a “comfort food” do Miam Miam, que virou um dos meus preferidos. E encerrei o ano com o confortante e suculento filé à Oswaldo Aranha do Bife de Ouro, coroado por alhos dourados e acompanhado de farofa de ovo, batata portuguesa crocante, arroz e feijão.

Devo estar esquecendo muita coisa... mas basicamente 2007 foi isso. Estou cheia de expectativas para 2008, que tem um dia a mais.