Em 9 de novembro de 1889, seis dias antes da proclamação da república, acontecia no castelo da Ilha Fiscal (recém-construído para a alfândega) o último baile do império.
O baile, supostamente em homenagem à chegada do navio chileno Almirante Cochrane, na verdade visava a fortalecer a imagem do império na opinião pública, mas acabou tendo efeito contrário.
O anfitrião D. Pedro II recebeu quase 5.000 convidados a quem foram servidos, num menu de 12 páginas, 500 perus, 64 faisões, 800 quilos de camarão, 18 pavões, 25 porcos, 800 latas de trufas, 1.200 latas de aspargos, 300 peças de presunto, 1.300 frangos, 50 tipos de saladas, 18 mil frutas, 20 mil sanduíches e 12.000 sorvetes. Descrição de alguns pratos: crême à la Richelieu et purée à la Reine; merlan (badejo) à la façon du chef; chartreuse de caille (codorniz) et pigeons sauvages (pombos). Sobremesas : 2.900 doces variados, além de crême au chocolat et aux violettes, charlotes, marrons glacées et bonbons fondants, mais queijos.
Pra acompanhar, os vinhos: Madeira, Sherry, Marsala, Sauternes (Château d'Yquem), Chablis, Moscato, Margaux, Lafitte, Château Léoville, Lacrima Christi e Porto safra 1834. E os champagnes Cristal, Veuve Clicquot, Heidsièck, Chambertin e Pommard. Foi a maior comilança já ocorrida em solo brasileiro.