terça-feira, 27 de outubro de 2009

Chicago

Chicago me impressionou já no aeroporto. Em seguida, dentro da van a caminho do hotel, no centro, veio uma certa decepção. Ouvi dizer que o trânsito foi um dos principais motivos para que as olimpíadas de 2016 não se realizassem na cidade. De fato, os engarrafamentos são frequentes e o tráfego é caótico. Os motoristas nem sempre respeitam o sinal, e adoram uma buzina.


Chegando ao centro, nova boa impressão: Chicago é a cidade mais florida dos EUA.




E olha que estamos em pleno outono!


Terceira maior cidade dos EUA, atrás de Nova York e de Los Angeles...



... as comparações com Nova York são inevitáveis. Embora não tão cult, Chicago ganha nos quesitos beleza e limpeza.







Nossa visita acontece num momento especial: no próximo domingo será a Maratona de Chicago, e a cidade está cheia de gente de fora, inclusive muitos brasileiros. Mal dá pra passar em frente à loja da Nike, onde uma multidão se aglomera diante desta parede...



... com os nomes de todos os corredores.



Estamos às vésperas do Halloween...











A cidade foi destruída por um incêndio de proporções catastróficas em 1871. Graças a doações recebidas de várias partes do mundo, em pouco tempo Chicago reergueu-se. A reconstrução atraiu arquitetos de renome, o que fez com que a engenharia e a arquitetura da cidade se tornassem referência mundial.




Dentro da Nike, uma parede onde as pessoas escrevem mensagens de apoio...



... pros parentes e amigos que vão correr a maratona.



Crise, que crise? Todas as lojas estão contratando



O comércio é sofisticado e variado, as lojas são lindas














Chicago tem excelente reputação gastronômica. Este aqui é o Alinea, décimo na lista dos melhores restaurantes do mundo. Fizemos reserva com meses de antecedência e, se este post tivesse som, daria pra ouvir meu coração acelerado. A expectativa é grande - afinal, é minha primeira vez num restaurante gastromolecular.



O chef é Grant Achatz, que, aos 35 anos, já enfrentou um câncer de boca, perdeu o paladar, deu a volta por cima e foi eleito melhor chef dos EUA em 2008. Quando se cruza a porta da discreta, minimalista fachada do Alinea, é como se a gente penetrasse numa nova dimensão.



Lá dentro, às 5 e meia da tarde, o restaurante, que só abre para jantar, começa a encher. Para ser um dos melhores do mundo não basta servir boa comida: o profissionalismo é visível nos mínimos detalhes. Como no guardanapo de linho com logotipo bordado...



Ao nosso lado, um casal de Nova Jersey comemorava uma data especial. Depois de perguntar de onde éramos e se era nossa primeira vez ali, o homem virou-se para nós e anunciou: "Preparem-se para um banquete!"



Pra acompanhar a refeição, suco de cranberry



No primeiro prato, espuma e caviar: delícia. Optamos pelo menu de 14 pratos (o outro tem 24 pratos!)




Cada prato é explicado em detalhes: os ingredientes, como se deve comer... aqui, um shot de capim-limão, uma saladinha, coulis de pimentão vermelho



Esta espécie de refrigerante é feita lá mesmo. Leva anis e acho que alcaçuz. Eles dizem que é pra preparar a boca entre um prato e outro. Se prepara eu não sei, mas percebi que minha boca ficava seca, como se a bebida tivesse o poder de "enxugá-la". Agora, dá uma olhada no copo, que lindo!



O rolinho é de truta, as barquetes são de ovas... duas coisas são especialmente divertidas no Alinea: a primeira é a expectativa, pois tudo é surpreendente e intrigante. A segunda é observar as reações dos outros: o sujeito de Nova Jersey suspirava, gemia de prazer, fechava e revirava os olhos, fazia caras e bocas...




Além de uma superequipe no salão e outra na cozinha, o restaurante também movimenta vários outros profissionais, pois grande parte da louça e dos utensílios precisa ser feita sob encomenda para causar o efeito desejado.



Esta maçã envolta em finíssima massa crocante e tostada era sensacional



O garçom coloca hashis (palitinhos para sushis), a curiosidade aumenta: o que será que vem por aí?




Chega um trio de minimedalhões de cordeiro sobre um ferro em brasa, cada um com uma cobertura diferente (abóbora, berinjela e alecrim)... o segundo melhor prato da noite




Pato com laranjinhas kinkan e castanhas

Depois veio o melhor da noite, que foi consumido tão rápido, de uma vez só (seguindo instruções), que nem deu pra fotografar... foi a explosão de trufas, um ravióli com recheio líquido de trufas negras




Quando o garçom entrou com essa bandeja cheia de plantas, Alexandre, que até então vinha se comportando exemplarmente, fazendo concessões e comendo uma porção de coisas que não costuma comer, declarou, convicto: "Agora chega, isso aí eu não como não!"

Não demorou para que o maitre, como se tivesse entendido, respondesse: "Não se preocupem, não é pra comer não, isso aqui é para sentir o aroma e intensificar a experiência do próximo prato..."




o prato era à base de tomate, com muitas variações: tomatinho, tomatão, tomate verde... acompanhado de figo e azeitonas pretas




Manteiga de amendoim e especiarias




Este prato incluía bacon, maçã, butterscotch e tomilho




Os pratos são confeccionados especialmente para cada preparação. Eles são cheios de concavidades em locais específicos, totalmente irregulares, para permitir as apresentações desejadas.




E vamos entrando nas sobremesas... esta é à base de chocolate, blueberry e maple




E, por último, uma brincadeira: você tem que sugar o conteúdo deste tubo - as camadas saem uma de cada vez -, o que faz um barulho engraçado. Tem gostinho de jujuba, de infância... é o lado emocional da cozinha tecno.


Na hora de sair, uma visita à cozinha







No domingo, fomos assistir à maratona...



A cidade tem grande vocação esportiva.

















Chicago é uma verdadeira aula de arquitetura













Situada às margens do lago Michigan, que separa os EUA do Canadá, a cidade é banhada pelo rio Chicago, de águas limpíssimas










Na rua, uma sátira ao famoso quadro Gótico Americano, cujo original você vai ver mais adiante















Nesta vitrine, malas com pinturas do brasileiro Romero Britto



A melhor maneira de conhecer Chicago é num passeio pelo rio...


... o visual é incrível, mas você quase congela. Faz muito frio em Chicago. Pegamos zero graus em outubro, mas a sensação térmica era de menos - talvez por causa do vento gelado que varre a cidade, conhecida como "Windy City"














Neste local próximo ao rio foi construído, em 1803, o Forte Dearborn, marco na fundação da cidade



Maquete da cidade









Para almoçar, escolhemos o tradicional Lou Mitchell´s, que marca o início da antiga Rota 66, estrada que ligava Chicago a Santa Monica, na Califórnia











Parece que todo mundo teve a mesma ideia, pois o restaurante tava lotado, inclusive de gente que tinha acabado de correr a maratona. Depois da corrida, eles se embrulhavam numa espécie de papel alumínio, acho que pra evitar um choque térmico.



hambúrguer com fritas


omelete


Depois do almoço, uma visita ao Art Institute of Chicago, onde vimos quadros de Gauguin...


de Monet...





... e de van Gogh.


"Tarde de domingo na ilha de Grande Jatte", de Seurat, de perto é todo formado por minúsculos pontinhos coloridos, característica da técnica de pintura conhecida como pontilhismo.


"Dia de chuva em Paris", de Gustave Caillebotte, atrai a atenção de todos os visitantes.



Também vimos o expressionismo abstrato de Jackson Pollock...


... e quadros engraçados como este.






Aqui, o visitante pode interagir com a obra e pegar balinhas nesta pilha.






Outra obra de arte conceitual - e curiosa: o artista afirma que, assim como a areia para gatos, a arte absorve a sujeira ao seu redor...



"Aves da noite", de Edward Hopper, retrata a solidão do homem urbano


"Gótico Americano" representa uma sociedade reprimida e repressora. Foi pintada em 1930 (após o impacto da crise econômica de 1929) por Grant Wood, que usou como modelos sua irmã e seu dentista.


E tinha ainda muitas esculturas orientais...








Do lado de fora, mais obras de arte: esta fonte é composta por duas colunas, uma de frente para a outra...

na parte interna de cada coluna, é projetado o rosto de uma pessoa


depois de alguns minutos, os dois rostos jorram água pela boca ao mesmo tempo



Arte e natureza integradas no espaço público





























Esta parede tem pedaços de monumentos do mundo inteiro








galeria de arte em Chicago





nem todos estão satisfeitos com Obama





Na segunda-feira, o almoço foi na House of Blues



O local, conhecido pelas atrações musicais, também serve excelente comida. Pena que não deu pra fotografar, porque estava escuro.


A decoração é fantástica, mas eles não deixam fotografar. No banheiro, no entanto, não tinha ninguém vendo...


tudo é pintado à mão.



Este personagem é o Elwood Blues, que você talvez conheça do filme "Os Irmãos Cara-de-Pau".


Chicago é uma cidade bastante musical.












Encontramos um Trader Joe´s pertinho do hotel. Este supermercado tem um conceito inteiramente novo e vende produtos orgânicos de marca própria a preços imbatíveis.


Você acerta o peso da abóbora e leva ela pra casa


Nosso hotel em Chicago








A Torre de Água é um dos poucos prédios que sobreviveram ao incêndio de 1871





no detalhe, pedrinhas de gelo











Crate & Barrel, loja que vende artigos de cozinha, de dia...


... e à noite.












Uma loja especializada em pipoca? Chicago tem.





De volta ao aeroporto de Chicago, que, apesar de ultramoderno...



... recebe calorosamente os que chegam.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Carolina do Sul

No número 38 de uma ruazinha qualquer de Colúmbia, Carolina do Sul...


...fica a casa do Celso e da Bernadete, onde ficamos hospedados.


Lembra aquelas casas que a gente vê nos seriados de TV.


Lá moram, além do Celso e da Bernadete, o companheiro...


... e onipresente...


... Tiger...


... e a dorminhoca Natasha...


... além de dois outros gatos bem menos sociáveis.


Tem também três aves que, com uma sala só pra elas, ficam soltas algumas horas por dia. São temidas e muito respeitadas pelos gatos. Quando a gente sai de casa, elas se despedem com "bye bye!" e, quando uma começa a se alterar, a outra grita "shut up!"


Os canteiros são super bem cuidados...


... como este de hibiscos e alecrim.


No quintal diariamente visitado por esquilos também há algumas árvores ...


... como este maple, árvore da qual é extraído o famoso xarope.


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Por ter interesses divergentes do restante do país, o sul dos EUA foi tomado por ideais separatistas no século 19. Até hoje ainda tremula em alguns locais a bandeira dos confederados agrários e escravistas que sonhavam com a independência do norte industrializado.

Visitamos o simpático bairro de Five Points, frequentado por estudantes universitários...


... aqui fica o Yesterday´s, onde almoçamos.


Gostei muito, mas muito mesmo, deste lugar, embora não saiba explicar bem o porquê. Ele tem a rusticidade de um Outback, só que autêntica.

A iluminação não ajudou nas fotos...


... mas comemos um pãozinho típico delicioso ("biscuit"), batatas com tempero cajun, peito de frango grelhado com legumes e arroz selvagem.


De lá fomos visitar o campus da Universidade de Colúmbia, onde o Celso dá aula...






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No dia seguinte cedo, partimos para a histórica cidade vizinha de Charleston, a duas horas de carro.

Chegando lá, fizemos um tour de ônibus que não permitiu tirar tantas fotos quantas a beleza do lugar merecia. Numa da poucas e breves paradas consegui fotografar este que foi o primeiro submarino na História a afundar um navio, durante a Guerra Civil.


Pelas ruas, artesãos descendentes de escravos tecem cestas Gullah que podem custar até milhares de dólares.




Todo o sul, mas principalmente Charleston, é uma viagem no tempo. Mansões como esta fazem a gente se sentir parte de filmes como Forrest Gump, E o vento levou, A Cor Púrpura e outros. Aqui, a vida tem outro ritmo.


A hospitalidade, uma característica local, é estranhamente representada pela figura de um abacaxi.



Muito mais que um restaurante, o Magnolias é uma instituição em Charleston. O tipo de lugar aonde você tem vontade de ir comer depois de um passeio pela cidade.


O restaurante tem um livro de receitas bonito e interessante.


Com o calor que faz ali, nada como um chá gelado...


... seguido do típico "crabcake" guarnecido com espinafre.


Alexandre e Celso foram de filé com "buttermilk" (leite talhado pela acidez do limão ou vinagre) e cebolas fritas.

Pra encerrar, torta de nozes pecan com sorvete de fava de baunilha...


... e brownie de chocolate com sorvete.


Depois, um passeio pela feira de artesanato local...




Da série "Hidrantes pelo mundo": os de Charleston são branco e amarelos


Encontramos o tão esperado chocolate com bacon no World Market de Colúmbia, mas ele ficou bem aquém das expectativas. Ninguém aprovou...

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Foram três dias que ficarão pra sempre na memória. Nossos anfitriões foram incríveis. E talvez o que melhor defina o sul dos EUA seja a inscrição que li numa camiseta em Charleston: "Se eu tentasse explicar, você não iria entender"...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Em Washington, por acaso

Washington não estava nos nossos planos. No entanto, tamanha foi a burocracia em solo americano, e tão grande o aeroporto onde faríamos conexão, que não conseguimos cruzá-lo a tempo e acabamos perdendo o voo, que saía de um terminal distante.

Sem muitas alternativas, decidimos aproveitar o dia para um passeio pela cidade grandiosa, cheia de construções neoclássicas:









rolinho de canela e pecan do aeroporto de Washington: inesquecível. E que aroma...

domingo, 4 de outubro de 2009

Férias

Tô saindo de férias por duas semanas, mas volto a postar assim que der. Se liga, vem coisa bacana por aí...


"Coisa que gosto é poder partir
sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
quando quero..."

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Tiramisu

Esta é uma clássica sobremesa italiana à base de café e mascarpone, um queijo cremoso. A receita pode levar mais ou menos café, mais ou menos chocolate. Esta que escolhi tem a vantagem de não levar gemas, só claras. E pesquisadores da UFRJ descobriram que a cafeína previne doenças degenerativas como Alzheimer e Parkinson:

1 caixa de biscoito champanhe (usei bolo de laranja)
1 cálice de licor de café
1 colher (sobremesa) de café solúvel
2/3 xícara de água
100g de chocolate meio amargo
1/4 xícara de leite
1 pote de mascarpone (usei o nacional Ecila)
4 claras
5 colheres (sopa) de açúcar
chocolate ou cacau em pó

Bata as claras em neve. Misture delicadamente o mascarpone e o açúcar. Umedeça os biscoitos (ou bolo, ou pão-de-ló) na mistura de café dissolvido em água e licor. Ponha numa forma uma camada de biscoito, uma camada do chocolate derretido com o leite e a mistura de mascarpone e claras. Polvilhe chocolate ou cacau em pó.



quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Com a promessa de revolucionar a maneira como veremos os alimentos no futuro, a Philips lança três projetos na área gastronômica: Diagnostic Kitchen (monitor de nutrição que permite determinar o que e quanto comer), Food Creation (inspirado na Gastronomia Molecular, desconstrói e recria os alimentos) e Home Farming (miniecossistemas empilhados que permitem cultivar num mínimo de espaço verduras, peixes e crustáceos).

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Michelle Obama plantou na Casa Branca uma horta orgânica com 102 metros quadrados e 50 variedades de legumes e frutas. A primeira dama também está envolvida em projetos para ensinar a população a comer melhor.

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Para combater a obesidade, os EUA estão considerando a cobrança de um imposto sobre refrigerantes e bebidas açucaradas (1 centavo/300ml), que arrecadaria 14,9 bilhões/ano. Os fabricantes, claro, são contra...

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Julia Roberts está na Índia filmando "Comer, Rezar, Amar", onde aparecerá cozinhando (de verdade!) um prato de dal (lentilhas) e roti (torta de trigo).

Sydney International Food Festival

Neste evento realizado na Austrália, os chefs criaram bandeiras com ingredientes típicos de cada país:

























Granola com chocolate

Simplesmente a melhor que já comi. Também, não usei um chocolate qualquer, mas o belga Callebaut, que fez toda a diferença.

4 xícaras de aveia em flocos grossos
½ xícara de sementes de girassol
½ xícara de gergelim
1/2 xícara de castanha-do-Pará picada grosseiramente
1/3 xícara de sementes de linhaça
1/4 xícara de amendoim moído
2 colheres (sopa) de açúcar
1 colher (sopa) de açúcar mascavo
1 pitada de sal
6 colheres (sopa) de mel (ou Karo, ou melado)
3 colheres (sopa) de óleo
2/3 xícara de chocolate picado (usei chips da Callebaut, misturei ao leite e amargo)

Misture todos os grãos numa vasilha grande. Adicione o açúcar e o sal e mexa bem. Leve ao fogo ou ao microondas o mel e o óleo até dissolver ligeiramente. Junte a mistura aos grãos e mexa outra vez. Ponha num tabuleiro e leve ao forno até dourar (retirei algumas vezes e mexi, para que dourasse por igual). Retirar do forno, deixar esfriar e só depois de frio misturar o chocolate e mexer. Conservar em recipiente bem fechado. Dá pra ser bem versátil nessa receita, usando os grãos que quiser e acrescentando amêndoas, coco ralado...


Antes que me perguntem, dois esclarecimentos:

1o. eu não vendo chocolate;
2o. eu compro o Callebaut na Central do Sabor